segunda-feira, 13 de outubro de 2008

O Descarte de Medicamentos.


Na semana passada, durante uma aula semanal na Unicamp, meu professor falou sobre uma pesquisa de Doutorado que constatou um alto teor de hormônio nos rios que abastecem a Região Metropolitana de Campinas. O engraçado é que não cogitamos sobre os remédios que são descartados na pia ou vaso sanitário, citamos apenas os hormônios devido à ingestão de anticoncepcional ou remédios desta categoria.

Caros Bloqueiros, analisam os problemas causados por descartes inapropriados de medicamentos, segundo a reportagem do Jornal Correio Popular deste domingo:

É um drama corriqueiro nos lares. Depois de medicado e livre dos sintomas da doença, não se sabe o que fazer com os remédios que sobram. Caixas e caixas se amontoam no armário, tomando o espaço das louças e dos mantimentos.
A legislação ambiental brasileira é severa com os grandes produtores de lixo hospitalar. Hospitais, clínicas e indústrias farmacêuticas da região são responsáveis pelo descarte responsável de 250 toneladas mensais dos resíduos, que acabam incinerados ou desinfectados em usinas privadas. Mas não há controle algum sobre o medicamento estocado nas casas. Há quem simplesmente jogue o resto do xarope no ralo, sem noção do prejuízo causado ao ambiente.
Uma pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) constatou a presença de fármacos na água distribuída à população (leia abaixo). Para evitar danos à saúde pública, a Coordenadoria da Vigilância Sanitária (Covisa) faz uma campanha educativa junto aos pacientes para difundir o consumo consciente, o armazenamento correto e métodos para o descarte dos remédios vencidos.
Os postos da rede contam com estrutura para receber, dos pacientes, medicamentos vencidos controlados (que só podem ser consumidos com orientação médica). Mas não recebem os frascos com medicamentos leves. São comprimidos que podem ser jogados no lixo, sem riscos de contaminação, mas que, nem por isso, são inofensivos. Uma criança, por exemplo, pode ingerir o remédio que encontra e passar mal.
Por isso, os técnicos orientam a descaraterizar os medicamentos. “Os comprimidos precisam ser esmagados e o que é líquido precisa ser eliminado antes do descarte das embalagens”, explica a enfermeira Cléria Maria Moreno Geraldello, responsável técnica da Covisa.
Mas manter a farmacinha doméstica também representa riscos. Estatísticas da Secretaria de Estado da Saúde comprovam que, em 35% dos casos de envenenamento pelo consumo de drogas terapêuticas, as vítimas tinham entre 0 e 5 anos. Resultado do descuido com frascos que ficam ao alcance.
A enfermeira Cléria explica que as assistentes farmacêuticas da Covisa informam os procedimentos necessários para evitar intoxicações e quais medicamentos devem ser devolvidos aos postos. Mas ela admite que só tem acesso à orientação o paciente atendido nos postos. A maioria da população dá ao remédio o fim que bem entende.
O que diz a Lei:
As resoluções 358/05 do Conselho Nacional do Meio Ambiente e 306/04 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) impõem aos geradores a responsabilidade pela segregação, acondicionamento, transporte, tratamento e disposição final dos resíduos sólidos. Lá estão relacionados, de forma detalhada, quais medicamentos são controlados e exigem descarte responsável.
Olha detalhes da Pesquisa de Doutorado que havia citado acima:
Resíduos de analgésicos, hormônios e antiinflamatórios saem pela torneira. Uma pesquisa do Instituto de Química da Unicamp revelou, em dezembro, que a água consumida pelos 2,5 milhões de moradores da Região Metropolitana de Campinas (RMC) contém compostos derivados de fármacos. A constatação foi da pesquisadora Gislaine Ghiselli, que usou os dados na defesa de uma tese de doutorado.
Durante quatro anos, o estudo coletou amostras em diversos pontos da sub-bacia do Rio Atibaia, o principal manancial regional. Foram encontradas, na água das torneiras, analgésicos, antiinflamatórios e antitérmicos (como dipirona, diclofenato e paracetamol), presentes nos medicamentos mais prosaicos da farmacinha doméstica.
A constatação, no entanto, não remete exclusivamente a irresponsabilidades, como o despejo incorreto no ralo dos medicamentos que sobram. Segundo o professor que orientou a tese, Wilson de Figueiredo Jardim, as substâncias são eliminadas naturalmente pelas fezes e pela urina. E as quantidades presentes nas amostras, adiantou, não representam qualquer risco à saúde humana.
O estudo, no entanto, serve para orientar políticas preventivas. É que as amostras de água analisadas tinham, além dos fármacos, hormônios sexuais naturais e resíduos industriais. Se os compostos identificados como “interferentes endócrinos” são consumidos em grandes quantidades, podem prejudicar o funcionamento de glândulas humanas.
Essa é uma das razões pelas quais é preciso evitar o descarte irresponsável dos medicamentos, uma forma de evitar a concentração maior de compostos nocivos na água.
É um erro, aliás, imaginar que o tratamento do esgoto livra a água das substâncias. O alerta é feito por Odair Seguntini, gerente da Associação Brasileira de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abelpre), organização não-governamental (ONG) que orienta o descarte correto de lixo hospitalar. “As estações eliminam dejetos orgânicos, e não substâncias químicas presentes nos fármacos”, diz. Em razão disso, a entidade patrocina campanha educativa para coibir a automedicação e impedir que as famílias tenham o hábito de ter em casa um estoque desnecessário de remédios. “É preciso consumir todo o medicamento prescrito pelo médico”, afirma Seguntini.

8 comentários:

Alexandra Peixoto disse...

Obrigada pelo elogio, Nice.
Acho que estou fazendo meu papel de cidadã.
Um abraço,
Alê

O Profeta disse...

Contigo...aprendo...


Este impaciente vento
Solta a espuma de um escuro mar
Mistura o pranto e o riso
Aprisionados em sal solto no ar

Indomável é a tua vontade
Alimentas o fogo da solidão
Percorres caminhos incertos
Dás inquietação a uma oração


Boa semana



Mágico beijo

Janaina Staciarini disse...

Caramba!
Eu não sabia de nada disso. Só pegava as coisas e botava no lixo.
Agora vou fazer direitinho.
Beijos, Nice.
;)

GUILHERME PIÃO disse...

Poxa, desconhecia este tipo de problema, foi bom vir aqui, aprendi mais uma.
Valeu pela dica.
Abraços

Heloisa Helena disse...

Olá!
retribuindo a visita no meu blog!Enfim um blog informativo na rede! rsrs Gostei do post, nunca tinha parado para pensar quanto os descarte de remédios! Enfim, é tão importanete quanto o cuidado que temos com baterias e eletrodoméstios! Passarei por aqui sempre para ver as novidade!
Beijão

Anônimo disse...

Além da automedicação os remédios qe sobram na maioria das vezes vai parar na lixeira que posteriormente acaba nos aterros sanitários consequentemente contaminando o lençol frenático. Este assunto foi tratado àlguns em matéria do Correio Popular.

bj, e parabéns pelo blog

Notas & Notícias disse...

Além da automedicação os remédios qe sobram na maioria das vezes vai parar na lixeira que posteriormente acaba nos aterros sanitários consequentemente contaminando o lençol frenático. Este assunto foi tratado àlguns em matéria do Correio Popular.

bj, e parabéns pelo blog

Marilene disse...

Estou fazendo meu TCC,com o assunto Descarte de Medicamentos,estou cursando Gestão Hospitalar e Saúde,este artigo foi muito útil pra mim,obrigado